ENERGIA SOLAR!
Dispostas sobre os telhados, as placas captam a energia do sol e com ela esquentam a água de chuveiros e pias. O sistema é simples e você pode tê-lo em sua casa - o investimento inicial logo retornará em contas de luz menos salgadas
POR
QUE USAR A ENERGIA SOLAR?
Ao substituir o chuveiro elétrico, ela diminui,
em média, 35% do gasto de luz numa casa, afirma Luís Augusto
Mazzon, diretor-presidente da Soletrol. Mais números? A energia elétrica
usada no aquecimento de água responde por 6% do consumo nacional, o
dobro do destinado à iluminação pública. Em tempos
de ameaça de blecaute e preocupação com o esgotamento
das reservas energéticas, a economia, além de poupar o nosso
bolso, preserva o meio ambiente. A abundância é outro ponto favorável.
Por exemplo: a cidade de Petrolina, PE, se compara à africana Dongola,
no Sudão, lugar do planeta onde o sol incide mais intensamente (maior
radiação). Os dados, levantados pelo Grupo de Pesquisas em Fontes
Alternativas de Energia da Universidade Federal de Pernarnbuco, são
animadores para todo o Brasil. "Por que não desfrutar de mais
esse beneficio oferecido pela natureza?"
ELA SUBSTITUI A ELETRICIDADE?
Não. As placas coletoras servem exclusivamente
ao aquecimento da água. Existe, sim, outro tipo de equipamento que
transforma a energia solar em elétrica (nesse caso, chamada fotovoltáica),
mas é uma tecnologia ainda cara, segundo a fisica Elisabeth Marques
Duarte Pereira, do Grupo de Estudos em Energia da Pontificia Universidade
Católica de Minas Gerais, o Green Solar.
QUAIS AS VANTAGENS?
Além de reduzir em média 35% da conta
de luz, um bom equipamento não sai caro: ele se paga entre seis meses
e dois anos, dependendo do tamanho. E dura cerca de quinze anos. Quase não
requer manutenção. apenas a limpeza semestral das placas - ela
é feita com água e sabão no início ou fim do dia
e não necessita de mão-de-obra especializada. A exemplo do que
ocorre com os demais sistemas de aquecimento central, a temperatura não
varia com a vazão. Por fim, o aquecedor solar não depende de
concessionárias ou distribuidoras de energia nem sofre tributação.
"Quem constrói hoje e não planeja a sua instalação
está retrocedendo. Seria como usar tubos de ferro galvanizado no lugar
de PVC"
E
AS DESVANTAGENS?
Os
problemas mais comuns ocorrem por erros na instalação ou por
falhas na distribuição da água quente no projeto hidráulico.
Existe, porém, um vilão que pode atacar até os mais precavidos
- a geada. Neste inverno, o termômetro foi lá embaixo, congelando
a água que estava dentro dos tubos das placas coletoras. A conseqüência
foi a mesma de esquecer uma garrafa de vinho no congelador: os tubos estouraram.
Todo esse frio provocou a quebra de aquecedores até em cidades quentes,
como Goiânia, GO, e Belo Horizonte, MG. Tamanho estrago acontecera pela
última vez em 1994. principalmente no Sudeste e no Sul. Para evitar
o inconveniente, pode-se instalar uma válvula anticongelamento. No
inverno de 2000, no entanto, até alguns equipamentos que contavam com
ela sucumbiram, levando os proprietários a consertar ou substituir
as placas. Os fabricantes estudam um sistema de prevenção ideal,
que seria isolar as placas coletoras, liberando a água contida nelas
e não permitindo seu reabastecimento durante toda a geada. Em países
extremamente frios, o problema não acontece, pois os aquecedores contam
com um sistema à prova de falhas.
"É uma solução muito cara, que não se justifica
em um país tropical, com risco mínimo de congelamento",
explica Rodrigo Trindade, consultor da Abrava e diretor da Agência Energia,
de Belo Horizonte.
REGRAS
PARA ACERTAR NA INSTALAÇÃO
A
casa precisa estar preparada para receber o sistema. Além de instalação
hidráulica apropriada (tubos de PVC para a água fria e de cobre
ou CPVC para a quente), deve atender a alguns posicionamentos e medidas.Se
a situação não for a ideal, as empresas fornecedoras
oferecem soluções.
A
ÁGUA FICA QUENTE MESMO NO INVERNO?
Em muitas regiões do país, o inverno é
bastante ensolarado, e o que importa para o aquecimento é a radiação
solar e não a temperatura. No entanto, em dias chuvosos ou muito nublados,
a água pode não alcançar a temperatura ideal - entre
38° C e 40° C. para banho, e entre 50° C e 60° C, para desengordurar
a louça. Nessa hora, entra em ação o sistema auxiliar
de aquecimento, geralmente elétrico.
O
EQUIPAMENTO FUNCIONA EM REGIOES FRIAS?
Todo o Brasil recebe insolação suficiente
para que compense investir nesse sistema. O que varia é o aproveitamento
dele, afirma Luciano Pascon, gerente de marketing da Soletrol, de São
Manuel, SP. "Nos lugares com muitos dias nublados ou chuvosos no inverno,
como o Sul, o sistema elétrico auxiliar é ativado mais vezes
do que em uma região ensolarada", explica. "A economia é
menor no inverno do que no verão. Mas o morador ainda tem vantagem,
já que a energia elétrica apenas complementa o aquecimento."
QUALQUER
CASA PODE TER AQUECIMENTO SOLAR?
A principio, sim. Mas, como sempre, o ideal é
instalar o sistema durante a construção, assim, podemos conciliar
as especificações técnicas com a estética, prevendo
um espaço adequado para a colocação das placas no telhado."
Em caso de reformas, principalmente, só um projeto detalhado vai permitir
ou não a adoção do sistema. É aconselhado comprar
outro aquecedor, a gás ou elétrico, quando não houver
condições técnicas para a implantação correta,
como telhado voltado para o norte", diz Rodrigo Trindade, da Agência
Energia. "Se o equipamento for mal instalado ou dimensionado, o auxiliar
elétrico tem uma participação muito grande."
POSSO
AQUECER A PISCINA TAMBÉM?
Sim, mas ela requer placas exclusivas (e espaço
no telhado para instalá-las) e uma bomba que movimente a água
(método conhecido como circulação ativa). Os custos são
altos. "Aquecer piscina é sempre caro", entre os sistemas
disponíveis, o solar tem preços competitivos.
OS
PRÉDIOS ACEITAM O SISTEMA?
Na capital mineira, 600 deles já aderiram a essa
tecnologia, segundo a Abrava. E garantindo economia, conforme conta Luiz Antônio
dos Santos Pinto, da Transen. Sua empresa instalou o aquecimento solar em
um prédio de 34 apartamentos, e cada morador gasta cerca de R$ 60,00
mensais de energia elétrica. Outro edificio com igual tamanho, da mesma
construtora, preferiu o aquecimento elétrico - a conta de luz média
desses apartamentos é de R$ 180,00
QUAL
O MELHOR EQUIPAMENTO PARA A MINHA CASA?
Definir o número de placas e o tamanho do boiler
(além do modelo dos produtos) exige saber quanto sua família
gasta de água quente. Os fabricantes calculam que, no Sul e no Sudeste,
cada pessoa use diariamente 100 litros em chuveiro, lavatório e cozinha.
Nas demais regiões, o consumo fica entre 70 e 80 litros. Se houver
banheira, é preciso acrescentá-la à conta. O boiler deve
comportar a quantidade necessária por dia.
O número de placas depende de vários fatores: a temperatura
desejada (só para o banho ou também para a cozinha), o tipo
de coletor, a insolação local e o volume a ser aquecido. Daí
a importância de um projeto. De modo geral, em Belo Horizonte se adota
o padrão de 1 m2 de placa para 100 litros. Em São Paulo e na
maior parte do Sudeste e do Sul, a mesma quantidade de água pede 2
m2 de placa.
COMO
COMPRO?
São muitas as lojas que vendem e instalam aquecedores
solares. Atraídas por um mercado com enorme crescimento - de 30% a
50% ao ano - e pela isenção de IPI e de ICMS, há todo
tipo de empresas na disputa pelo consumidor. Opte pelas associadas à
Abrava, que adotam as regras da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT). Esses fabricantes são obrigados a ostentar
o selo do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia) em todos os modelos de
coletores que comercializem. Mais recentemente, o trabalho de etiquetagem
atingiu os boilers, que começam a chegar ao mercado com o selo. Há
apenas uma ressalva, segundo Luís Augusto Mazzon, da Soletrol: os testes
de placas realizados pelo Inmetro consideram o sistema de circulação
ativa (com bomba, como usado em piscinas) e não de termossifão,
comum em casas. De qualquer modo, ter a placa aprovada é sinal de credibilidade
da empresa.
Fonte:
Revista Arquitetura e Construção -Outubro/00
Para ler esta reportagem na íntegra procure a fonte citada em bancas
ou bibliotecas de sua cidade.
