BOA PARA MORAR, BOA PARA VENDER!
Ao fazer uma casa, as pessoas não pensam em
desfazer-se dela um dia. Mas é bom se preparar para isso. "O
mercado imobiliário é como um semáforo: muito tempo
no vermelho, pouco no verde”, compara Luiz Pompéia diretor
da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).
Um bom negócio, garantem os corretores,são os condomínios
horizontais. Arquitetos e corretores de várias regiões do
Brasil mostram como fazer de sua casa um bom investimento, seja na cidade,
campo ou praia.
LOCALIZAÇÃO:
Deve
incluir: segurança, facilidade de transporte, comércio, serviços,
rua tranqüila, áreas verdes. Segundo Roberto Capuano, presidente
do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) de São
Paulo, "os terrenos de esquina são pouco valorizados, por problemas
de segurança". Isto não acontece em condomínios.
Uma casa de frente para uma avenida movimentada ou vizinha a um prédio
não vende bem por razões óbvias.
São Paulo: Há controvérsias entre os corretores quanto
à localização ideal. Mas todos admitem que o Jardim Europa,
zona sul da cidade, continua entre os mais valorizados. Também crescem
na preferência dos clientes os condomínios fechados.
Rio: Facilidade de transporte é fundamental. Quem foi morar na Barra
da Tijuca ou no Recreio dos Bandeirantes sentiu as dificuldades na pele. Os
corretores apontam Tijuca, Méier e Jacarepaguá como boas opções.
Belo Horizonte: Confira se a área é exclusivamente residencial.
Bairros valorizados: Mangabeiras e região da Lagoa da Pampulha.
Porto Alegre: As regiões nobres estão próximas ao Shopping
Iguatemi ou são bairros tradicionais como Petrópolis, Higienópolis
e Bela Vista.
Florianópolis: Terrenos na Lagoa da Conceição, Condomínios
onde é proibido construir prédios, como o da Praia Brava e Jurerê
Internacional.
Salvador: A melhor escolha são os condomínios horizontais distantes
do centro mas com transporte fácil.
Recife: "Vista para o mar é exigência, exceto em Boa Viagem".
Para JoséDuarte Aguiar, presidente do Creci em Pernambuco, "o
terreno deve estar próximo a um dos shoppings".
IMPLANTAÇÃO:
Muita
insolação para clima frio, pouca para clima quente. Ventilação
conta em climas quentes ou úmidos.
Sudeste: insolação
Sul: insolação + ventilação (clima frio e úmido)
Nordeste: ventilação. Área social e íntima voltadas
para o nascente e serviços, para o poente.
ESTILO:
Os arquitetos, em geral, abominam os modismos. Mas os corretores apontam o que mais vende em cada região. Em São Paulo, "os mais procurados são o colonial americano e neoclássico. O francês está ficando em alta", diz Roberto Capuano, do Creci. No Rio, Belo Horizonte e Nordeste, as fachadas mais vendidas têm arquitetura neocolonial.
DISTRIBUIÇÃO DE AMBIENTES:
Quatro
suítes é o ideal, dois banheiros é o mínimo -
o do casal deve ter hidromassagem; e closet. Área social espaçosa,
bem como a cozinha, cheia de tomadas. Poucos corredores. Ambientes sociais,
íntimos e de serviço bem separados. O corredor se alarga e vira
sala íntima.
São Paulo e Sul: Jovens casais e solteiros gostam da cozinha integrada
à sala, porque não têm empregada e não querem ficar
isolados.
PAVIMENTOS:
Casa
térrea só em terrenos grandes. Uma construção
com dois pavimentos aproveita bem o espaço.
Rio, São Paulo e Florianópolis: Como é difícil
arranjar terrenos grandes fora dos condomínios, a casa costuma ter
dois andares.
Recife: É obrigatório ter dois pavimentos. Isso separa a área
íntima (superior) da social e de serviços (térreo), além
de ventilar a casa.
Salvador e Belo Horizonte: Existem ainda muitas casas térreas.
MATERIAIS:
Granito,
mármore, madeira, cerâmica nas áreas molhadas são
tradicionais. Iluminação embutida no teto de gesso atrai compradores,
que não irão gastar com lustres.
São Paulo e Sul: Esquadrias de PVC ou alumínio, concreto, coberturas
e paredes de poli carbonato (um tipo de plástico ultra-resistente).
Sul: Madeiras claras, telhas shingles (em forma de escamas) ou planas esmaltadas.
Nordeste: Carpete, nem pensar. Piso de madeira não faz sucesso em Recife.
A madeirá serve apenas para detalhes. A cerâmica lidera as preferências,
junto ao granito (mais em Recife) e laminado (em Salvador).
SEGURANÇA
É
preciso ter muro com guarita, câmera de vídeo, alarme e porteiro
eletrônico, exceto nos condomínios horizontais. Para evitar que
o muro pareça um paredão, faça dois muros, com alturas,
cores e texturas diferentes; e guaritas de vidro blindado, à prova
de balas. Há também a idéia clássica de disfarçar
o muro com plantas. Em Florianópolis, cidade tranqüila, ainda
se faz grade ou cerca
Garagem: Fechada para três ou quatro carros
LAZER
Piscina:
Conta pontos, apesar do alto custo de construção e manutenção.
Varanda: Ampla e ligada à sala e às áreas de lazer. Ela
sombreia a casa, por isso é importante em Belo Horizonte e no Nordeste.
Em Florianópolis, sacadas são bem-vindas nos quartos.
No Rio e em São Paulo, a varanda deve ficar junto à sala. No
quarto, só se a vista for maravilhosa.
Churrasqueira: Indispensável no Sul, principalmente em Porto Alegre.
Lareira: Na sala de estar da casa urbana, somente em clima frio.
Sauna: O mais opcional dos opcionais, ainda mais quando se fala em casa urbana.
Em climas quentes, esqueça.
CONDOMÍNIOS
HORIZONTAIS: Segurança de um prédio,
comodidade de uma casa
Um
aglomerado de casas cercado de muros. Parece uma cidade medieval; só
que, em vez do fosso e da porta levadiça, os equipamentos de segurança
incluem alarmes e dispositivos ultramodernos: são os condomínios
horizontais. Segundo corretores, é um ótimo investimento. Um
dos primeiros condomínios horizontais surgiu em Belo Horizonte, em
1955: o Retiro das Pedras. Outro pioneiro foi a Chácara Flora, em São
Paulo, cidade que viu o aparecimento de Alphaville (1974), Aldeia da Serra
(1980) e Tamboré (1988), entre outros. A febre se espalhou pelo Brasil
- no litoral paulista, Riviera de São Lourenço e Master"s
do Camburizinho são campeões de vendas. No Rio de Janeiro, onde
os condomínios costumam ser verticais, existem exemplos como o Nova
Ipanema, na Barra da Tijuca, com casas e apartamentos. O Villas do Atlântico,
a 40 km de Salvador, tem praia particular, academia de ginástica e
sorveteria, e outras comodidades. Existem opções mais próximas
do centro, como o condomínio Itaigara (6 km). No litoral norte baiano
encontram-se o condomínio Interlagos e o loteamento Canto de Arembepe.
Do outro lado do Brasil, em Santa Catarina, empreendimentos como o Jurerê
Internacional e o condomínio fechado do Hotel Plaza Itapema fazem sucesso.
Só em Recife a tendência não deu certo. "Todos querem
uma localização privilegiada em relação ao mar".
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Fonte:
Revista Arquitetura e Construção - Maio/96
Para ler esta reportagem na íntegra procure a fonte citada em bancas
ou bibliotecas de sua cidade.
